“Porque corre um homem? Sendo este homem de que se fala na generalidade de toda a espécie, aquele que todos representa, o todo, todos, sem excepção, porquanto não existe neste caso, a excepção, bem entendido. Mas a pergunta mantém-se, o que o faz correr? No sentido literal da expressão, uma perna á frente da outra, o pé direito a seguir ao pé esquerdo e vice-versa, não há primeiros lugares nestas coisas co corpo humano. Será pelo prazer do sofrimento em si, todas aquelas centenas de músculos a trabalhar em prol de um bem-estar físico e psicológico a ser usufruído na posteridade do exercicío? A uns é a glória que os move, os segundos e os minutos com que palmilha o terreno dão vitórias, dinheiro e notoriedade ou desilusão, desconsolo e carpidura. A outros nada mais os motiva do que a extracção de alguns quilos descomedidos com o desígnio final e único de agradar ao outro género ou ao mesmo, dependendo dos gostos de cada um e de cada qual, Seja como for, a soma dos fundamentos tem base num só, todos correm pela vida, nada mais os move.”

Luís Miguel Rocha in “O Último Papa”